quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Acorde




Uma das coisas mais importantes que é preciso entender sobre o ser humano é o fato de que ele está dormindo. Nem enquanto pensa ele está acordado. Sua vigília é muito frágil. Ela é tão insignificante que não vale nada. É só um nome bonito, mas totalmente vazio.
     Você dorme à noite, você dorme de dia, do dia em que nasce até o dia em que morre você continua mudando os seus padrões de sono, mas nunca está de fato acordado. E achamos que estamos acordados só porque estamos com os olhos abertos. A menos que os olhos internos se abram, que o seu interior se encha de luz, a menos que você consiga ver a si mesmo, "QUEM VOCÊ É"... Não pense que está acordado. Essa é a maior ilusão em que vive o homem. E depois que aceitar isso, você estará acordado; não será preciso fazer nenhum esforço para se manter assim.
     E a primeira coisa a ser entendida é o fato de que você está dormindo. Você está sonhando, dia após dia, às vezes está sonhando com os olhos fechados e às vezes com os olhos abertos, mas está sonhando. Você é um sonho. Você ainda não é uma realidade.
     E claro que num sonho nada do que você faça tem sentido. Nada que pense tem utilidade, qualquer coisa que projete continua fazendo parte do sonho e impede que você perceba que está sonhando. Por isso, todos os Budas insistiram numa só coisa: "O DISPERTAR!". "DISPERTE"! Continuamente, por séculos, todos os ensinamentos deles podiam caber numa única frase: "FIQUE ACORDADO". E eles têm recomendado métodos, estratégias; tem criado contextos e espaços e campos de energia em que você pode levar um choque e acordar. A menos que receba um choque, estremeça nas bases, você não vai despertar. O sono já dura tanto tempo que ele chegou ao âmago do seu ser. Se todos os Budas do mundo concordam com respeito a um único tema: "O homem, da forma como é, está dormindo, e o homem da forma como deveria ser, deveria estar acordado, disperto." "FICAR DESPERTO" é o objetivo e é também o gosto, o tempero, de todos os ensinamentos desses Budas. Todos os seres despertos ensinaram sobre um único tema, em diferentes línguas, com metáforas diferentes, embora sua canção fosse à mesma. Assim como o mar tem um gosto salgado, seja ele provado no norte, no leste ou no oeste, o mar sempre tem um gosto salgado. O gosto da condição de um Buda é estar "ACORDADO". 
     O silêncio é o espaço em que se acorda, e a mente ruidosa é o espaço em que se continua dormindo. Se a sua mente continua tagarelando, você está dormindo. Se, ao se sentar em silêncio, a mente desaparecer e você puder ouvir o chilrear dos pássaros e mente nenhuma dentro de você, só silêncio... Esse assobio do pássaro e nenhuma mente em atividade na sua cabeça, silêncio total. Então a consciência brota em você. Ela não vem de fora, ela desperta em você, cresce em você. "DESPERTE" "ACORDE". A existência está esperando que você se torne uma realidade.


        Pax!!!
  

Arrisque-se




A vida exige enorme coragem. Os covardes apenas existem, não vivem, porque toda a vida é orientada pelo medo, e uma vida orientada pelo medo é pior que a morte. Somente os corajosos podem viver. A coragem é o primeiro passo a ser aprendido. Apesar de todos os medos, temos que começar a viver. E porque é preciso coragem para viver? Porque a vida é insegurança. Se você fica preocupado demais com proteção, segurança permanecerá confinado a um pequeno cantinho, quase que em uma prisão, construída por você mesmo... Será seguro, mas não será vivo. Será seguro, mas não terá aventura, não terá êxtase. A vida consiste em explorar, entrar no desconhecido, alcançar as estrelas! Seja corajoso e deposite tudo aos pés da vida; nada é mais valioso. Cada um deve viver sua vida tão totalmente quanto possível; somente então surge a alegria, somente então o transbordamento da graça divina se torna realmente possível. Aqueles que querem realmente viver têm que correr muitos riscos. Tem que se mover sempre no desconhecido. Tem de aprender uma das lições mais fundamentais: que não existe lar; que a vida é uma peregrinação, sem começo, sem fim. Que existem lugares onde você pode descansar, mas é apenas parada de uma noite, pela manhã, você deve partir novamente. A vida é um movimento constante, nunca chega a qualquer fim; e por isso que a vida é eterna... A morte tem um começo e um fim. Mas você não é morte, você é vida. A morte é uma concepção errada. As pessoas criam a morte, porque anseiam por segurança. É o desejo de segurança e proteção que cria a morte, que o faz temer a vida, que o faz hesitar em penetrar no desconhecido. O único alimento da vida é o risco; quanto mais você arrisca, mais você está vivo. E uma vez que você compreenda isso, não por desespero, não por impotência, mas a partir de uma consciência meditativa, uma vez que compreenda isso, você fica arrebatado pela absoluta beleza dessa possibilidade. O homem pode receber com desespero o fato de ficar sem lar, mas aí se perde todo o ponto. Foi aí que o existencialismo perdeu o ponto da questão. Eles chegaram muito perto, estiveram muito perto; a verdade estava logo adiante. Estavam tão próximos como qualquer Buda, mas se perderam. Ao invés de ficarem felizes, ficaram muito tristes por sua vida não ter significado, por a vida não ter objetivo, por a vida não ter segurança. Ficaram muito abalados; isso era perturbador. Os Budas também chegaram à mesma conclusão, mas, em lugar de ficarem tristes, elas deram um salto para o desconhecido. Eles ultrapassaram todas as fronteiras. Aceitaram isso como sendo a vida. Aceitaram que isso faz parte da própria natureza da vida; não faz sentido sentir-se frustrado . E entenderam como é belo a vida ser insegura, porque então existe a possibilidade de explorar, então existe a possibilidade de inventar, então existe a possibilidade de se deparar com o novo, então existe a possibilidade de surpresas. Se tudo fosse seguro, certo, garantido, pré-destinado, não haveria nenhuma emoção, nenhuma dança. Os Budas dançaram. Ao verem o inacreditável acontecendo, ao verem o miraculoso acontecendo; eles rejubilavam, se alegravam. Entre em sintonia com a vida, acompanhe-a, sem desejos pessoais, particulares, sem idéias de como a vida deveria ser. Deixe-a a tal como é. " E RELAXE". A excessiva preocupação com a segurança mata, porque a vida é insegura. É assim! Nada pode ser feito sobre isso; ninguém pode tornar a vida segura. Todas seguranças são falsas, todas as seguranças são imaginárias. O homem verdadeiro aceita a vida como ela é, aceita correr o risco, aceita o perigo, a insegurança como seu próprio estilo de vida.

Pax!!!